Uma sentença judicial emitida no fim de 2025 condenou o prefeito de Leandro Ferreira (Centro-Oeste de Minas) por manipular um concurso público realizado em 2008, favorecendo parentes, aliados e correligionários por meio de fraudes no certame e na licitação que contratou a organizadora do processo. A decisão, proferida pela juíza Rachel Cristina Silva Viegas em 13 de dezembro, impõe sanções civis e administrativas aos envolvidos, mas ainda cabe recurso da defesa do atual gestor, Nivaldo Rodrigues (MDB).
A Ação Civil Pública foi movida pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e concluiu que a seleção foi direcionada para beneficiar o filho e a nora do prefeito, assim como servidores já vinculados à prefeitura e amigos pessoais, além de confirmar que o processo licitatório foi uma simulação para mascarar a contratação da empresa organizadora. Segundo o texto da sentença, houve acesso privilegiado às provas e manipulação de notas por parte de candidatos beneficiados. O certame acabou sendo anulado judicialmente diante das inúmeras irregularidades constatadas.
Entre as penalidades estão:
- perda da função pública e suspensão dos direitos políticos por cinco anos;
- multas civis proporcionais à gravidade do envolvimento de cada réu;
- proibição de contratar com o poder público por três anos;
- ressarcimento solidário de R$ 15 mil referentes ao valor que o município pagou à empresa organizadora do concurso.
A juíza ressaltou o impacto negativo da conduta no princípio da moralidade administrativa e na confiança da população nos processos seletivos públicos.
Panorama de Investigações e Ações Relacionadas a Prefeitos em Minas Gerais
O caso em Leandro Ferreira não é isolado. Diversas outras ações, investigações e decisões judiciais envolvendo prefeitos mineiros refletem um cenário de maior atuação de órgãos de controle e Justiça Eleitoral no estado:
1. Operação contra Fraudes em Licitações em Campo Florido
Uma operação policial e do MPMG cumpriu 28 mandados de busca e apreensão em Campo Florido (Triângulo Mineiro) em outubro de 2025, visando um esquema de fraudes em licitações relacionadas ao evento “Expocampo”. O vice-prefeito e o presidente da Câmara Municipal foram alvos diretos da ação, que aponta crimes de falsidade documental e corrupção ligados a empresas de fachada e superfaturamento de recursos públicos. CNN Brasil
Status: investigação em andamento, com pagamentos do evento suspensos pela Justiça até conclusão das apurações.
2. Afastamento e Cassação de Diplomas por Condutas Vedadas (TRE-MG)
Em julho de 2025, o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) cassou os diplomas dos prefeitos eleitos de Martins Soares e Vieiras (Zona da Mata Mineira) por abuso de poder político e econômico e uso indevido da máquina pública na campanha eleitoral de 2024. Entre as práticas identificadas estão distribuição irregular de benefícios sociais, contratação de pessoal temporário em excesso e utilização de bens públicos em propaganda eleitoral. Justiça Eleitoral
Status: decisões confirmadas pelo TRE, com possibilidade de recursos; atenção à execução após embargos declaratórios.
3. Polícia Federal Apura Crime Eleitoral em Senador José Bento
Em junho de 2025, a Polícia Federal deflagrou a “Operação Marco Zero”, que investiga a simulação de um sequestro envolvendo candidatos a prefeito e vereador em Senador José Bento (Sul de Minas) às vésperas da eleição de 2024. A investigação apura se o suposto crime foi induzido para gerar comoção pública com objetivo eleitoral. Serviços e Informações do Brasil
4. Investigação de Prefeito e Ex-Prefeito no Norte de Minas
A “Operação Dolomita”, conduzida pela Polícia Federal, mira possíveis fraudes em licitações e desvio de mais de R$ 600 mil em Padre Carvalho (Norte de Minas). Entre os principais investigados estão o prefeito de São João da Lagoa e o ex-prefeito de Padre Carvalho, com indícios de favorecimento de empresa de fachada em contratos públicos e uso de estrutura do município para execução de serviços. O Fator
Reflexos e Debate Público
Os casos recentes refletem um quadro em que órgãos de controle — como MP, TRE e Polícia Civil/Federal — intensificam a fiscalização sobre a atuação de gestores municipais e a lisura de processos públicos. Estoques de denúncias de fraudes em licitações, concursos e uso indevido de recursos públicos têm ganhado maior visibilidade, alimentando discussões sobre a necessidade de fiscalização mais rigorosa e penalidades mais severas para gestores públicos. Uma enquete recente mostrou que 98% dos brasileiros defendem punições mais duras para prefeitos suspeitos de corrupção, diante da sensação de impunidade em muitos casos investigados. Campo Grande News
Conclusão
O episódio de Leandro Ferreira faz parte de um movimento mais amplo no estado em 2025-2026, com múltiplas investigações e decisões contra prefeitos e gestores que enfrentam acusações de práticas ilícitas, desde fraudes em concursos públicos até abuso de poder econômico eleitoral e fraudes em licitações. Esses desdobramentos reforçam o papel de instituições fiscalizadoras e judiciais na manutenção da integridade da administração pública municipal em Minas Gerais.
Junior Flávio / OPZ Play
