Junior Flávio / OPZ Play
A nova edição do boletim Análise CNA revela que o agronegócio brasileiro caminha para um ano de recuperação robusta, comandado por recordes na produção de grãos e forte desempenho econômico. O cenário soma otimismo para produtores, mas também alerta para desafios no crédito, clima e comércio internacional.
Produção de grãos bate novo recorde
- A safra 2025/2026 deve alcançar 353,8 milhões de toneladas de grãos, avanço de 1% na comparação com a temporada anterior, segundo a CNA.
- Parte desse crescimento se apoia na ampliação de área plantada, com destaque para as regiões do Centro-Oeste e Matopiba (área que abrange partes dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).
- Em paralelo, a consultoria 3Tentos prevê uma produção de 180 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26, cerca de 10 milhões a mais que a safra anterior.
- Para o milho (safra de verão no Centro‑Sul), a estimativa é de 25,48 milhões de toneladas, com leve expansão frente à temporada anterior.
PIB do agro acelera — mas desafios são reais
- No 1º trimestre de 2025, o PIB da agropecuária cresceu 12,2% em relação ao trimestre anterior, puxado pelos preços elevados e pela recuperação da safra.
- Já o “PIB do agronegócio” (considerando atividades agrícolas, pecuárias, insumos e serviços ligados) registrou alta de 6,49% no mesmo período.
- Com esse desempenho, estima-se que o setor possa representar cerca de 29,4% do PIB nacional em 2025, acima dos 23,5% registrados em 2024.
- A Confederação da Agricultura projeta para o ano crescimento de 10,1% no PIB agropecuário, com VBP (Valor Bruto da Produção) estimado em R$ 1,49 trilhão.
- Para efeito de comparação, outras projeções da CNA indicam que o crescimento do PIB do agronegócio em 2025 pode ficar em torno de 5%.
Além dos grãos: hortifruti, pecuária e novas fronteiras
- Na horticultura, o valor da produção municipal (PAM) de 2024 cresceu 5,5%, somando R$ 52,1 bilhões. A batata‑inglesa chamou atenção, com alta de 57% nos preços.
- A fruticultura alcançou R$ 102,9 bilhões, com aumentos expressivos nos valores da laranja e do cacau — ambos com elevações superiores a 100% e 180%, respectivamente.
- Na pecuária, diferentemente de anos recentes, o rebanho bovino sofreu leve recuo. Já aves e suínos ampliaram suas bases produtivas, apoiadas pela demanda interna e pelas exportações.
- A aquicultura também ganhou destaque, com expansão de 13% na tilápia e 15% no camarão.
Desafios e vulnerabilidades que precisam atenção
- Crédito e custo de produção
O boletim aponta que a liberação de crédito — especialmente para custeio e investimento — está mais lenta no Plano Safra 2025/2026.
Juros elevados, câmbio desfavorável e insumos importados pressionam as margens dos produtores. - Clima e incerteza meteorológica
Há 60% de probabilidade de ocorrência do fenômeno La Niña até dezembro. Isso pode gerar estiagens no Sul e chuvas aumentadas no Centro‑Norte, com impacto regional diverso na produtividade. - Pressão externa e barreiras comerciais
O setor de carnes foi afetado por tarifas americanas, que reduziram em até 50% a competitividade da carne bovina brasileira nos EUA.
As exportações de café também recuaram: −19% no volume global e −21% especificamente para os EUA. - Riscos nos estados mais afetados
Produtores no Rio Grande do Sul enfrentam consequências de secas e enchentes recentes. Muitos adotam culturas de menor custo (aveia, canola, carinata) ou ampliam a irrigação como estratégia.
🔍 Por que isso importa?
- O agronegócio, que já representa fatia relevante do PIB nacional, assume papel estratégico em impulsionar a economia brasileira em cenário de retomada.
- A produção recorde de grãos pode aliviar pressões sobre os estoques, baixar preços de alimentos e favorecer o abastecimento nacional.
- Mas os riscos geográficos, institucionais e financeiros exigem atenção: nem todos os produtores estarão igualmente protegidos frente a adversidades.
