A Organização das Nações Unidas enviou uma carta oficial ao governo brasileiro pedindo ações urgentes para resolver falhas identificadas na organização da COP30, realizada em Belém (PA). O documento, assinado por Simon Stiell, secretário-executivo da UNFCCC — o órgão da ONU responsável pela coordenação das conferências climáticas — solicita que medidas extras de segurança e logística sejam colocadas em prática “ainda hoje”.
Segundo relatos, o estopim para o pronunciamento foi a invasão da Blue Zone, área restrita usada exclusivamente para negociações diplomáticas entre representantes de mais de 190 países. A entrada de manifestantes no local, registrada na noite de terça-feira (11), gerou preocupação sobre vulnerabilidades na proteção de espaços sensíveis da cúpula climática.
A situação expôs divergências entre autoridades brasileiras e a própria ONU, que afirmam ter responsabilidades distintas na manutenção da segurança interna.
Falhas estruturais e reclamações acumuladas
Além da invasão, delegações internacionais relataram outros problemas desde o primeiro dia da conferência:
- falhas na refrigeração de salas e tendas;
- falta de água em banheiros;
- goteiras e pequenos vazamentos causados por rompimento de calhas;
- reclamações sobre organização dos fluxos de acesso entre as áreas Azul e Verde.
Embora nenhum incidente grave tenha sido registrado, o acúmulo de transtornos motivou maior pressão para que ajustes sejam implementados durante o evento, que segue até 21 de novembro.
Resposta do governo brasileiro
Após a repercussão da carta, a Casa Civil emitiu nota afirmando que não participou das decisões sobre contenção de protestos, ressaltando que a segurança interna da Blue Zone é de responsabilidade direta da ONU, por meio do UNDSS (Departamento das Nações Unidas para Segurança e Proteção).
No entanto, segundo o governo federal, uma reavaliação conjunta foi realizada na última quarta-feira (12), resultando em novas diretrizes:
Reforço de segurança
- Ampliação e reposicionamento das forças de segurança nos perímetros Laranja e Vermelho.
- Aumento da distância entre as Zonas Azul e Verde para reduzir riscos de incidentes.
- Atuação integrada da Força Nacional e da Polícia Federal no corredor intermediário.
- Instalação de gradis, barreiras metálicas e estruturas de contenção adicionais.
Melhorias estruturais
- Instalação de novos aparelhos de ar-condicionado e unidades sprint para climatizar salas críticas.
- Reparo e substituição das calhas rompidas que causaram vazamentos no Mídia Center e no posto de saúde oficial.
- Vedação de estruturas e reforço de tendas com risco de infiltração.
O governo afirma que as correções vêm sendo acompanhadas diariamente em reuniões técnicas com a UNFCCC para garantir que ajustes continuem sendo feitos durante a COP.
Contexto e impacto internacional
A COP30, primeira conferência climática das Nações Unidas sediada na Amazônia, tornou-se um marco político e simbólico para o Brasil. O país tenta reafirmar sua liderança ambiental no cenário global e fortalecer compromissos de redução de emissões e preservação da floresta.
A repercussão internacional da carta, inicialmente divulgada pela Bloomberg, levantou preocupações sobre a capacidade de operação do evento diante da expectativa recorde de público — estima-se mais de 70 mil participantes.
Especialistas afirmam que incidentes como falhas estruturais e brechas de segurança podem prejudicar a imagem do Brasil como anfitrião, especialmente em um momento em que o país busca ampliar investimentos internacionais voltados à sustentabilidade.
O que pode acontecer agora?
A ONU deve acompanhar de perto o cumprimento das medidas solicitadas. Caso as falhas persistam, novas notas oficiais podem ser emitidas, e discussões internas podem ocorrer nos comitês de coordenação do evento.
Ainda assim, fontes do governo e da agência internacional afirmam que, apesar dos problemas iniciais, não há risco de suspensão das atividades da conferência.
Junior Flávio / OPZ Play
https://www.cnnbrasil.com.br/blogs/caio-junqueira/internacional/em-carta-onu-critica-organizacao-da-cop-e-pede-melhorias/
