Crime expõe avanço da violência contra a mulher em Minas Gerais em 2025
Um crime brutal registrado na zona rural de Varginha, no Sul de Minas Gerais, voltou a acender o alerta para o avanço dos casos de feminicídio no estado. Uma mulher de 55 anos foi assassinada a golpes de canivete pelo próprio filho, de 19 anos, na madrugada deste domingo (14), em uma fazenda onde ambos moravam e trabalhavam.
Segundo informações da Polícia Militar, o caso teve início por volta das 2h, quando o administrador da propriedade procurou as autoridades após ser abordado pelo jovem, que afirmou ter matado a mãe. Inicialmente, o relato não foi levado a sério, mas ao verificar a residência, o administrador encontrou manchas de sangue já na entrada do imóvel e acionou a polícia.
Ao chegar ao local, os militares encontraram o suspeito, que se apresentou espontaneamente e passou a relatar versões contraditórias sobre o ocorrido. Em um primeiro momento, ele afirmou que a mãe teria tirado a própria vida. No entanto, após questionamentos, confessou o homicídio, detalhando que uma discussão entre os dois teria evoluído para agressões físicas.
De acordo com o depoimento, ambos estariam sob efeito de álcool no momento da briga. O jovem relatou que a mãe teria avançado contra ele com um canivete, arma que acabou sendo tomada e utilizada no ataque fatal. A vítima sofreu diversos golpes no pescoço.
Após o crime, o corpo foi retirado da residência, colocado em uma vala no pasto da fazenda e coberto com sacos plásticos. O suspeito retornou ao imóvel e tentou limpar vestígios de sangue, inclusive lavando roupas utilizadas durante a ação.
A perícia da Polícia Civil esteve no local e localizou o canivete usado no homicídio escondido dentro de um sapato, no quarto do autor. O jovem foi preso em flagrante e encaminhado à delegacia de plantão de Varginha. Segundo a PM, ele não possui antecedentes criminais. O caso segue sob investigação.
Feminicídio em alta em Minas Gerais e no Sul de Minas
O crime foi registrado oficialmente como feminicídio, tipificação prevista na legislação brasileira quando o assassinato ocorre em contexto de violência doméstica ou familiar, ou por menosprezo à condição de mulher.
Dados parciais das forças de segurança indicam que 2025 já apresenta números preocupantes em Minas Gerais, com dezenas de mulheres assassinadas em crimes classificados como feminicídio ao longo do ano. No Sul de Minas, a situação também preocupa autoridades, com registros recorrentes de violência doméstica, tentativas de homicídio e assassinatos consumados, tanto em áreas urbanas quanto na zona rural.
Especialistas alertam que muitos desses crimes acontecem dentro do ambiente familiar, envolvendo companheiros, ex-companheiros ou parentes próximos, o que reforça a necessidade de políticas públicas de prevenção, fortalecimento da rede de proteção às mulheres e atenção a sinais de violência psicológica e física.
Rede de proteção e denúncia
Casos de violência contra a mulher podem e devem ser denunciados. Em Minas Gerais, vítimas ou testemunhas podem acionar a Polícia Militar pelo 190, o Disque 180, que funciona 24 horas, ou procurar a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher mais próxima.
O feminicídio registrado em Varginha não é um caso isolado. Ele se soma a uma estatística que revela um problema estrutural e urgente, exigindo resposta firme do poder público e o engajamento da sociedade no enfrentamento à violência de gênero.
Junior Flávio / OPZ PLay
