Na tarde de quarta‑feira (14) em uma área rural conhecida como Pedra Preta, em Três Corações (MG), um trabalhador foi alvo de um ataque de abelhas que lhe provocou mais de 100 picadas. Ele realizava serviços de topografia acompanhado de outras duas pessoas quando um grande grupo de abelhas emergiu inesperadamente, obrigando equipes do Corpo de Bombeiros e do SAMU a realizar o resgate. O homem foi encaminhado ao hospital São Sebastião, em Três Corações, onde passou a noite sob observação e recebeu alta na manhã seguinte.
Esse episódio ilustra um fenômeno cada vez mais frequente no interior e nas zonas periurbanas de Minas Gerais — e em outras partes do Brasil — em que enxames de abelhas se tornam uma ameaça real à segurança de trabalhadores rurais, moradores e passantes.
Por que as abelhas atacam
As abelhas não procuram atacar seres humanos por vontade própria. O comportamento agressivo geralmente ocorre quando a colmeia ou o enxame percebem uma ameaça ao ninho, à fonte de alimento ou às próprias abelhas‑rainha. Vibrações, movimentos bruscos próximos ao ninho, barulhos altos ou a aproximação inadvertida podem ser interpretados como perigo iminente, desencadeando uma resposta de defesa em massa. Espécies mais defensivas tendem a liberar dezenas ou centenas de operárias para repelir o suposto invasor.
Quando os ataques são mais comuns
Os encontros com enxames tendem a ocorrer com maior frequência durante:
- Períodos de seca: falta de água e alimento faz com que enxames migrem em busca de novos locais, muitas vezes passando por áreas urbanas e rurais densamente povoadas. Em Minas Gerais, o Corpo de Bombeiros registrou um aumento de aproximadamente 40% nas ocorrências envolvendo enxames durante períodos de estiagem, comparado ao ano anterior.
- Estações mais quentes: altas temperaturas favorecem a proliferação e movimentação das abelhas, aumentando a probabilidade de encontros com seres humanos.
- Tempos de chuva intercalada com calor: estímulos ambientais relacionados ao clima influenciam o comportamento coletivo dos insetos.
Enxames: uma breve explicação
Um enxame de abelhas é um grupo temporariamente reunido de abelhas — geralmente acompanhado por uma nova rainha — que deixou sua colmeia original para formar uma nova colônia. Durante esse processo, as abelhas ficam agrupadas em um único ponto enquanto exploram o ambiente em busca de um novo local permanente. Em fases de migração ou busca de condições mais favoráveis, esses enxames podem se estabelecer em fendas de paredes, árvores ou estruturas urbanas, tornando o convívio com humanos mais provável.
As abelhas mais perigosas no Brasil
No Brasil, a grande maioria dos ataques é atribuída às abelhas africanizadas (uma linhagem híbrida de Apis mellifera). Essas abelhas apresentam um comportamento defensivo mais intenso do que algumas linhagens europeias, liberando maior número de operárias em resposta a estímulos percebidos como ameaças e perseguindo o alvo por distâncias maiores do que outras abelhas.
Consequências dos ataques
Os efeitos de uma ferroada variam conforme o número de picadas e a sensibilidade do indivíduo:
- Reações locais: dor, inchaço, vermelhidão e prurido no ponto de picada.
- Reações alérgicas: algumas pessoas podem entrar em choque anafilático, com risco de insuficiência respiratória e cardiovascular.
- Acidentes por múltiplas ferroadas: uma quantidade elevada de picadas (como no caso do ataque em MG) pode levar a complicações sistêmicas, incluindo insuficiência renal, hemólise e comprometimento de órgãos, especialmente em crianças, idosos ou portadores de condições pré‑existentes.
Segundo toxicológicos hospitalares em Minas Gerais, picadas múltiplas são consideradas graves por si só e podem resultar em sintomas que exigem vigilância médica especializada.
Índices e tendências em Minas Gerais e no Brasil
Estatísticas nacionais indicam um aumento contínuo nos acidentes com abelhas no país ao longo da última década. Entre 2021 e 2024, os registros de ataques cresceram mais de 80%, com mais de 34 mil ocorrências registradas nesse período e superando, pela primeira vez, o total de picadas de cobras no Brasil em determinado ano.
Dados de um boletim epidemiológico de 2022 mostram que Minas Gerais figurava entre os estados com maior número de notificações de acidentes por abelhas, com 2.783 casos naquele ano, deixando claro o peso desse tipo de ocorrência especialmente no Sudeste brasileiro.
Dados locais de serviços de emergência também confirmam um aumento nos atendimentos por picadas de abelhas em Belo Horizonte, onde hospitais especializados registraram quase 90 atendimentos entre janeiro e agosto em um ano recente, chegando a ultrapassar metade do total do ano anterior no mesmo período.
Prevenção e o que fazer
A mitigação de ataques depende de boas práticas:
- Evitar aproximação de colmeias ou enxames sem equipamento de proteção.
- Não tentar remover ou perturbar ninhos por conta própria — a remoção deve ser feita por profissionais treinados.
- Em caso de ataque, procurar abrigo, cobrir áreas vulneráveis como face e correr em zigue‑zague (pois as abelhas tendem a voar em linha reta atrás da ameaça).
- Procure atendimento médico imediatamente se houver sinais de alergia, múltiplas picadas ou dificuldade respiratór
Junior Flávio / OPZ Play
