Fome cai no Brasil, mas Norte e Nordeste ainda enfrentam gravidade maior: desafios persistem

Junior Flávio / OPZ Play 

Dados recentes do IBGE mostram que a fome no Brasil atingiu 6,48 milhões de pessoas em 2024 — uma queda de 23,5% em relação a 2023, quando esse número era de 8,47 milhões.Apesar do recuo, 13,5% da população brasileira ainda vive insegurança alimentar moderada ou grave, índice que revela que quase um em cada quatro domicílios enfrenta algum grau de risco alimentar. 

  • As regiões Norte e Nordeste concentram os piores índices: 37,7% dos domicílios no Norte e 34,8% no Nordeste enfrentam insegurança alimentar.
  • No grau grave, os domicílios nessas regiões chegam a 6,3% (Norte) e 4,8% (Nordeste).
  • No Sul, o índice de gravidade é bem menor: 1,7% dos lares vivem a fome em nível grave.
  • Quanto ao ambiente, insegurança alimentar grave atinge 4,6% dos lares rurais e 3,0% dos urbanos.

Além disso, crianças e adolescentes são os mais afetados: 3,3% das pessoas de 0 a 4 anos e 3,8% de 5 a 17 anos viveram fome grave em 2024, segundo o levantamento.

  • A proporção de domicílios em segurança alimentar subiu de 72,4% em 2023 para 75,8% em 2024.
  • Cerca de 2 milhões de pessoas saíram da condição de insegurança alimentar grave.
  • Todos os estados, em sua maioria, registraram melhora entre 2023 e 2024 — exceto Roraima, Distrito Federal, Amapá e Tocantins. 

Mesmo com avanços, a insegurança alimentar ainda está enraizada em desigualdades:

  • Mulheres lideram 59,9% dos lares que vivem insegurança alimentar. 
  • Em domicílios com insegurança grave, os pardos são maioria: representam 56,9%, mais que o dobro dos brancos (24,4%). 
  • A educação também faz diferença: 65,7% dos lares em condição grave tinham responsáveis com ensino fundamental ou menos. 
  • Em termos de renda, duas em cada três famílias em insegurança alimentar grave recebem até 1 salário mínimo por pessoa. 

O que é urgente para avançar

  1. Fortalecer políticas de transferência de renda e cestas básicas com foco nas regiões Norte e Nordeste.
  2. Investir em programas de segurança alimentar local, apoio à agricultura familiar e incentivos à produção regional.
  3. Educação alimentar e nutricional nas escolas para prevenir déficits nutricionais em crianças.
  4. Monitoramento contínuo por órgãos públicos e sociedade civil para identificar áreas críticas.
  5. Garantir que progressos recentes não retrocedam com cortes orçamentários.

https://g1.globo.com/economia/noticia/2025/10/10/ibge-fome-brasil-pesquisa-pnad-inseguranca-alimentar-alimentos-2024.ghtml

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