Fraude Bilionária em Armazenagem de Café: Entenda o Caso que Afeta Produtores de MG e SP e como se Proteger

Por Junior Flávio — Campo Belo (MG), 09/01/2026

Produtores rurais de Minas Gerais e São Paulo estão em alerta após um grave caso de fraude que pode resultar em prejuízos da ordem de R$ 132 milhões no setor cafeeiro. A Polícia Civil investiga o desaparecimento de 21 mil sacas de café armazenadas na Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas de Ibiraci (Cocapil), cujo presidente, Elvis Vilhena Faleiros, de Franca (SP), está com a prisão decretada e foragido da Justiça. O número de vítimas pode chegar a 180 cafeicultores, entre pequenos e médios produtores de cidades de Minas Gerais e São Paulo.

Produtores relataram que confiaram seus estoques à cooperativa, mas ao tentar retirar o café, descobriram que os grãos não estavam nos barracões designados — indicando um possível desvio do produto. Assembleia MG

Contexto e Relevância do Crime para a Cafeicultura Regional

Casos envolvendo furtos, roubos e fraudes relacionadas ao café têm aumentado no Brasil, especialmente com a valorização da saca em mercados internacionais e a consequente elevação do preço interno da commodity. Autoridades e entidades produtoras em Minas Gerais relatam maior presença de grupos criminosos focados em roubos e furtos de sacas e até de equipamentos agrícolas. Assembleia MG+1

Em várias regiões do Estado, produtores têm manifestado preocupação com a insegurança no campo — seja em roubos a propriedades rurais, invasão de armazéns ou ações de quadrilhas especializadas. Investigações já identificaram grupos que utilizam estratégias elaboradas de furto, adulteração e transporte clandestino de café, inclusive com compartimentos ocultos em caminhões para driblar pesagens oficiais, conforme apurações do Ministério Público em Minas. MPMG

Além de Minas, localidades do interior de São Paulo também registram episódios de violência rural motivados pelo valor da saca, levando produtores a buscar medidas de segurança reforçadas. Assembleia MG

O que dizem as autoridades e a defesa

O delegado responsável pela investigação afirmou que todos os relatos das vítimas seguem um padrão semelhante: o café estava sob custódia da cooperativa e simplesmente não foi encontrado quando os produtores foram retirar seu estoque. A Polícia Civil deve concluir o inquérito nos próximos dias, mas ainda há espaço para novas denúncias de produtores lesados.

A defesa do presidente da cooperativa alegou que a crise financeira interna e oscilações de mercado justificariam o rombo, e que há intenção de ressarcir os afetados, embora o processo judicial esteja em andamento.

Como os produtores podem se proteger de golpes semelhantes

Com incidentes desse tipo acontecendo com mais frequência no agronegócio, especialistas e entidades de classe apontam medidas para reduzir riscos e aumentar a proteção dos cafeicultores:

1. Estruturação documental rigorosa

  • Registro detalhado de contratos de armazenagem, com cláusulas claras sobre responsabilidades, seguros e garantias.
  • Exigir comprovação física periódica de estoque (pesagens e conferências com datas e responsáveis).

2. Seguro agrícola e patrimonial

  • Contratar seguro específico para estoques e transporte de café, cobrindo roubo, furto, incêndio e outros sinistros.
  • Seguros podem ajudar a mitigar perdas financeiras imediatas enquanto se aguarda decisões judiciais ou negociações de ressarcimento.

3. Sistemas de rastreamento e tecnologia

  • Investir em rastreamento digital dos lotes — inclusive com soluções de rastreabilidade por QR Code ou blockchain — para acompanhar a movimentação da mercadoria desde o armazém até a entrega ao comprador final. Farmonaut
  • Instalar câmeras, sensores e alarmes nos galpões, além de controle de acesso.

4. Auditorias independentes

  • Realizar auditorias externas periódicas nos estoques de cooperativas ou parceiros comerciais.
  • Contratar empresa terceirizada para fazer inspeções surpresa de estoques.

5. Participação em associações e grupos de cooperação

  • Associar-se a sindicatos rurais ou cooperativas maiores que forneçam orientação jurídica, segurança e suporte logístico.
  • Trocar informações sobre práticas seguras de armazenagem e transporte entre produtores.

6. Denúncia imediata e assessoria jurídica

  • Ao suspeitar de irregularidades, registrar boletim de ocorrência imediatamente e comunicar ao Ministério Público ou entidades representativas.
  • Consultar advogado especializado em direito agrário ou comercial para avaliar medidas judiciais e possibilidade de bloqueio de bens (penhora) de responsáveis.

Recuperação de prejuízo

Reaver o prejuízo em casos de fraude exige ação coordenada:

  • Bloqueio e penhora de bens dos responsáveis (quando decretado pela Justiça).
  • Ações civis coletivas dos produtores contra a cooperativa ou executivos envolvidos.
  • Utilização de provas documentais, contratos e laudos de auditoria para reforçar ações judiciais.
  • Em alguns estados, produtores podem recorrer às Câmaras de Arbitragem Especializadas em Agronegócio para acelerar soluções extrajudiciais.

Caso o seguro contratado cubra o tipo de prejuízo, a seguradora pode indenizar primeiro e depois buscar ressarcimento via regresso contra os responsáveis, reduzindo o impacto imediato no fluxo de caixa dos produtores.


Este caso traz à tona a necessidade de segurança jurídica e operacional robusta no setor cafeeiro, especialmente para pequenos e médios produtores que dependem economicamente da venda de seus estoques. A crescente demanda global por café e a valorização da commodity no mercado interno intensificam riscos, tornando imperativo que o setor rural adote padrões de mercado mais rigorosos para proteção patrimonial e mitigação de fraudes. Assembleia MG+

Junior Flávio / OPZ Play

https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2026/01/08/empresario-de-franca-sp-e-suspeito-de-sumir-com-sacas-de-cafe-avaliadas-em-r-132-milhoes.ghtml

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