Um homem de 29 anos, identificado como Guilherme Medeiros de Souza, foi violentamente agredido na noite de quarta-feira (26), no Conjunto Ceará, em Fortaleza, após sair de casa vestindo uma camisa de torcida organizada do Fortaleza Esporte Clube. O ataque, praticado por quatro homens, foi registrado por câmeras de segurança e chocou moradores da região.
Segundo relatos da família, Guilherme — que é diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) — estava sentado em frente ao comércio da família quando os agressores se aproximaram, puxaram-no pela camisa e desferiram socos no rosto e diversas pancadas pelo corpo. Eles ainda tentaram arrancar a camisa do clube que ele vestia.
A vítima sofreu um corte na boca, escoriações e precisou ser socorrida por parentes. As agressões cessaram apenas quando a mãe do jovem, Lúcia Helena Medeiros, correu até a rua ao ouvir os gritos do filho. Os indivíduos fugiram logo em seguida.
“Quando saí, vi meu filho ensanguentado. Ele é autista, não mexe com ninguém, é querido por todos”, relatou a mãe emocionada.
Ela afirmou ainda que o grupo já havia passado pelo local antes, esperando o momento em que Guilherme ficou sozinho.
A Polícia Civil do Ceará informou que o caso será investigado pelo 12º Distrito Policial, e orientou a família a registrar o Boletim de Ocorrência formalizando a denúncia.
Violência Contra Pessoas com Autismo: Cenário Preocupante no Brasil
Infelizmente, casos como o de Guilherme não são isolados. Pessoas autistas, por terem padrões específicos de comunicação e comportamento, muitas vezes tornam-se alvo de violência, discriminação ou intimidação.
Estatísticas nacionais sobre violência contra pessoas com deficiência e autistas:
Embora o Brasil ainda não tenha um banco de dados exclusivo para violência contra pessoas com TEA, pesquisas e relatórios apontam:
- Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), pessoas com deficiência têm até 3 vezes mais chance de sofrer violência em comparação à população geral.
- Relatório do Ministério dos Direitos Humanos (2024) aponta que, entre as denúncias recebidas pelo Disque 100, 14,5% envolvem violência contra pessoas com deficiência, sendo o autismo uma das condições mais citadas.
- Organizações independentes estimam que 1 em cada 4 pessoas autistas no Brasil já sofreu algum tipo de agressão física, moral ou psicológica ao longo da vida.
- No ambiente escolar, estudos mostram que 86% das crianças e adolescentes autistas já sofreram bullying, um índice superior ao de qualquer outro grupo vulnerável.
A Violência Motivada por Torcidas Organizadas
No país, conflitos envolvendo torcidas vêm crescendo:
- Em 2024, o Monitor da Violência registrou aumento de 22% em casos de agressões relacionados a camisas de clubes ou facções de torcidas.
- O Ceará está entre os estados com maior número de ocorrências envolvendo torcidas organizadas, ao lado de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Essas estatísticas evidenciam a urgência de políticas de prevenção e fiscalização mais rigorosas, especialmente para proteger pessoas em condição de vulnerabilidade, como é o caso de indivíduos com TEA.
Como a Sociedade Pode Reagir e Prevenir Novos Casos
Especialistas defendem algumas medidas essenciais:
1. Campanhas de conscientização sobre o autismo
Promover educação pública para reduzir preconceitos e ajudar a comunidade a reconhecer necessidades específicas das pessoas autistas.
2. Combate à intolerância esportiva
Fortalecer ações contra violência de torcidas e estimular campanhas de paz nos estádios e bairros.
3. Inclusão e acolhimento
Casos como o de Guilherme mostram que o apoio da comunidade pode ser decisivo para garantir segurança a pessoas neurodivergentes.
4. Acompanhamento psicológico e jurídico
A vítima e a família precisam de suporte, enquanto os autores devem ser identificados e responsabilizados.
Junior Flávio / OPZ Play
