Polícia Civil apura esquema de falsificação de atestados com nomes de médicos da Santa Casa de Passos

A Polícia Civil de Passos (MG) investiga um esquema de falsificação e comércio de atestados médicos que utilizavam indevidamente os nomes e carimbos de profissionais ligados à Santa Casa de Misericórdia da cidade. O caso veio à tona após um médico procurar a delegacia denunciando o uso ilegal de sua assinatura em documentos apresentados a empresas da região. De acordo com as apurações, os falsos atestados eram vendidos a trabalhadores interessados em obter afastamentos irregulares de até 15 dias. Os valores variavam entre R$ 50 e R$ 100, conforme o tempo de dispensa e o tipo de diagnóstico (CID) indicado no documento. O delegado Marcos Pimenta, responsável pelo 18º Departamento de Polícia Civil, informou que quatro compradores e um intermediário já foram identificados e ouvidos. “Essas pessoas pagavam por atestados que simulavam afastamentos médicos. Apesar de ninguém ter sido preso até o momento, elas podem responder por falsidade ideológica, uso de documento falso e associação criminosa”, afirmou o delegado, destacando que as penas podem chegar a cinco anos de prisão. A Santa Casa de Passos, por meio do seu setor jurídico, acompanha as investigações e é considerada vítima do caso, já que o nome de seus profissionais foi utilizado sem qualquer autorização. Segundo Pimenta, além de comprometer a imagem dos médicos, a prática também gera prejuízos às empresas que acabam aceitando os documentos falsos e ficam temporariamente sem funcionários.

“Não se trata de uma brincadeira. É uma conduta grave que mancha a reputação de profissionais sérios e afeta diretamente o ambiente de trabalho”, alertou o delegado.

Casos semelhantes na região

O episódio registrado em Passos é o quarto caso desse tipo no Sul de Minas apenas em 2025. Situações parecidas já foram registradas em Muzambinho, Varginha e Pouso Alegre, todas com suspeitas de uso e comercialização de documentos falsificados. Em Muzambinho, por exemplo, uma adolescente foi apreendida ao tentar usar uma receita médica falsificada para retirar medicamentos do programa Farmácia Popular. Já em Varginha, uma servidora pública foi presa em agosto, suspeita de vender atestados com o nome de uma médica local. Em Pouso Alegre, outra mulher foi detida em junho pelo mesmo tipo de fraude. As investigações continuam, e a Polícia Civil busca identificar novos envolvidos no esquema que movimentava a venda ilegal de atestados e comprometia a credibilidade de instituições médicas respeitadas da região.

Junior Flávio / OPZ Play 

https://g1.globo.com/mg/sul-de-minas/noticia/2025/10/27/policia-civil-investiga-venda-de-atestados-medicos-falsos-com-nomes-de-profissionais-da-santa-casa-de-passos-mg.ghtml

Rolar para cima