Incidentes distintos, padrão igual: dois casos de estupro de vulnerável em Minas reforçam crise da violência sexual intrafamiliar

Na região Centro-Oeste de Minas Gerais, emergem dois casos separados que evidenciam uma triste repetição: o abuso sexual de menores cometido por familiares próximos. Em Carmo do Cajuru, um homem de 47 anos foi indiciado por estupro de vulnerável contra sua própria filha, de 13 anos, após denúncia da adolescente à mãe e à diretora da escola onde estuda. Já em Campo Belo, dois homens foram presos por mandados judiciais — um de 49 anos por abusos constantes contra filha e enteada; outro de 34 anos investigado por estupro de vulnerável contra sobrinha — ambos crimes ocorridos no âmbito familiar. Em ambos os casos, o elemento é semelhante: a vítima era menor de idade, o agressor tinha vínculo de confiança e familiar, e a denúncia ocorreu após um processo de sofrimento prolongado. Esses dois episódios distintos — em municípios diferentes — reforçam que essa forma de violência não é isolada, mas faz parte de um padrão preocupante que diretores de escola, pais, mães, redes de proteção e instituições de segurança pública vêm identificando em Minas Gerais.No Brasil, em 2024 foram registradas ao menos 78.463 ocorrências de estupro e estupro de vulnerável, o que representa em média 214 vítimas por dia ou cerca de 9 vítimas por hora. ANDES-SN+1. Do total de estupros de vulnerável para vítimas até 13 anos, 61,4% dos casos no Brasil ocorrem até essa faixa etária. Fórum Brasileiro de Segurança Pública+1. No estado de Minas Gerais, foram registrados 5.223 casos de estupro em um ano recente, dos quais 3.990 foram classificados como estupro de vulnerável. Jornal Ponto Final. Ainda em Minas Gerais, em 2024 o canal Ligue 180 registrou um aumento de 32,6% nas denúncias de violência contra mulheres. Serviços e Informações do Brasil

Esses dois casos em Carmo do Cajuru e Campo Belo chamam atenção por vários fatores:

Repetição do modus operandi: agressor familiar, vítima menor, ambiente de confiança, silêncio prolongado.

Importância da denúncia interna: no primeiro caso, a adolescente procurou a mãe e a diretora da escola — mostra que os canais de escuta dentro de casa/escola são fundamentais.

Subnotificação latente: as estatísticas já mostram que muitos casos não são registrados — logo, cada denúncia convertida em investigação representa uma vitória dos mecanismos de proteção.

Necessidade de atuação integrada: escola, rede social, polícia, istema de proteção à criança/adolescente, todos precisam estar articulados para romper o ciclo de silêncio e impunidade.

Âmbito regional: embora os dois fatos tenham ocorrido em municípios menores de Minas Gerais, os dados estaduais e nacionais demonstram que o problema é estrutural — e não apenas restrito aos grandes centros urbanos.

Junior Flávio / OPZ Play

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