Junior Flávio / OPZ Play
Vanessa Jussara da Silva, de 38 anos, natural de Piumhi (MG), foi localizada morta na noite de quinta-feira, 9 de outubro de 2025, após permanecer desaparecida por cinco dias em Uberlândia (MG), cidade onde trabalhava como motorista de aplicativo. O namorado da vítima, de 34 anos, foi preso e confessou o crime, apontando onde o corpo foi abandonado. De acordo com a Polícia Civil, a causa provável da morte foi estrangulamento (esganadura). Vanessa foi vista pela última vez no sábado (4) em um bar no Bairro Residencial Integração, Uberlândia. O carro dela, um Renault Sandero branco de placa HNY‑7320, também desapareceu temporariamente. O BO (boletim de ocorrência) de desaparecimento foi registrado apenas terça-feira (7). O suspeito afirmou que cometeu o crime no domingo (5), abandonou o corpo na zona rural, e depois fugiu para esconderijo até ser encontrado e preso. A Polícia Civil informou que o corpo passará por perícia antes de ser encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML).
Esse caso chocante insere-se em um panorama maior de violência de gênero no Brasil:
Em 2024, foram registrados 1.459 feminicídios no país — o equivalente a uma média de 4 mulheres mortas por dia por razões ligadas à condição de gênero. CNN Brasil+2UOL Notícias+2
A taxa de feminicídio se manteve em 1,34 casos por 100 mil mulheres – o que mostra que, embora esteja estatisticamente estável, o número absoluto segue elevado. UOL Notícias+1
A Região Centro‑Oeste apresentou a maior taxa do país, com 1,87 feminicídios por 100 mil mulheres, acima da média nacional. UOL Notícias+1
Esses dados evidenciam que, apesar de políticas e leis existentes, a violência contra mulheres — inclusive em contextos domésticos ou íntimos — permanece como grave problema social no Brasil.
Profissionais que trabalham como motoristas de app — especialmente no modelo individual/autônomo — enfrentam desafios específicos de segurança:
Estar sozinho durante as corridas, muitas vezes à noite ou em locais desconhecidos;
Ausência de acompanhamento presencial de outros colegas ou supervisores no momento da corrida;
Dependência da plataforma digital para comunicação e geolocalização;
Dificuldade de averiguar o passageiro antes da corrida ou verificar o destino antes de aceitar.
Plataformas como a Uber têm implementado recursos de segurança (verificação de perfil, botão de emergência, compartilhamento de trajeto com contatos de confiança) para motoristas e usuários. Uber Ainda assim, os riscos não desaparecem completamente.
Com base em boas práticas e recomendações de segurança, seguem orientações para quem atua como motorista de app:
- Use trancas e travas de segurança no veículo — mantenha as portas traseiras travadas até que o passageiro entre completamente.
- Verifique o usuário antes de iniciar a corrida — compare foto, nome e trecho inicial solicitado. Se houver divergência ou desconforto, recuse a corrida.
- Compartilhe trajeto com pessoas de confiança — ative o recurso “compartilhar viagem” para amigos ou familiares acompanharem seu percurso.
- Evite rotas isoladas ou escuras — prefira vias movimentadas e bem iluminadas, mesmo que isso implique um trajeto mais longo.
- Mantenha contato frequente — envie mensagens ou faça ligações breves durante trajetos suspeitos para alguém de confiança para informar situação.
- Use botão de emergência ou central da plataforma rapidamente — em caso de suspeita de risco, interrompa a corrida (se seguro) e acione a plataforma ou serviços de emergência.
- Não aceite passageiros fora do app — evite combinar corridas via redes sociais ou telefone externo, pois você perde proteção fornecida pela plataforma.
- Documente tudo — anote nome, placa do veículo, hora e local da corrida, especialmente se notar comportamento incomum.
- Faça pausas e evite dirigir exausto — fadiga reduz atenção e aumenta vulnerabilidade.
- Busque apoio institucional — sindicatos de motoristas de aplicativo, associações locais ou cooperativas podem oferecer orientações coletivas de segurança.
Essas medidas não eliminam completamente os riscos, mas aumentam a sua margem de proteção no dia a dia.
O caso de Vanessa Jussara alerta para a necessidade urgente de ações coordenadas para proteção de motoristas de aplicativo — muitos dos quais mulheres — contra violência e riscos inerentes à profissão.
As medidas envolvem:
- Políticas públicas de segurança específicas para trabalhadores de aplicativos, com policiamento direcionado e patrulhamento em locais de alto risco.
- Campanhas educativas para passageiros, ressaltando respeito, segurança, e que a plataforma não aceita violência contra motoristas.
- Parcerias entre órgãos de segurança (Polícia Civil, Militar), Ministério Público e plataformas para troca de informações sobre rotas, suspeitas e histórico criminal.
- Aprimoramento dos recursos tecnológicos das plataformas com alertas automáticos, verificação biométrica, botão de pânico com localização prioritária.
- Fortalecimento de redes de apoio às vítimas de violência — delegacias especializadas, acolhimento psicológico, assistência legal rápida.
A trágica morte de Vanessa Jussara reflete um problema estrutural: a vulnerabilidade que muitos motoristas de aplicativo enfrentam diariamente. Em um contexto de alta incidência de violência de gênero no Brasil — com 1.459 casos de feminicídio em 2024 — é urgente reforçar a proteção desses profissionais.
A segurança individual não depende apenas da pessoa, mas de sistemas — da plataforma, do Estado e da sociedade. Investir em prevenção, tecnologia, vigilância comunitária e apoio institucional é fundamental para que tragédias como essa não se repitam.
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