Junior Flávio / OPZ Play
No Brasil, uma história simples e comovente ressoou com força nas redes sociais: dona Wanda, de 76 anos, perdeu o filho Alexandre Terra vítima da COVID‑19. Em meio à dor, ela agarrou-se ao que restava de um frasco de perfume — um exemplar quase vazio do Annete, antigo produto da marca O Boticário — como quem segura uma lembrança viva. Diz-se que o filho dizia que esse perfume tinha “cheiro de mãe” — e era o aroma que ele mais gostava. A cena foi revelada por Karyne Leão, familiar da nora, que visitou a casa de dona Wanda para entregar pertences do filho. Ao encontrá-la abraçada ao frasco, revelou: “Chorava segurando um vidro de perfume … tinha menos que um dedinho de líquido.” O perfume Annete, lançado originalmente em 1984, já havia sido retirado de produção há muitos anos. Sensibilizada pela comoção causada nas redes sociais, a marca decidiu atender a um pedido simbólico: recriar algumas unidades da fragrância exclusivamente para dona Wanda. A repercussão foi imediata: internautas expressaram emoção e surpresa diante do gesto da empresa. E mais do que isso, Miguel Gellert Krigsner, fundador do grupo O Boticário, escreveu uma carta à mão para dona Wanda, explicando que o nome “Annete” foi inspirado em sua primeira filha e justificando a reedição especial do perfume para amenizar a saudade da mãe.
A carta dizia em trechos:
“Querida dona Wanda, tomamos conhecimento do significado que o perfume Annete tem nas suas memórias. Resolvemos, com apoio da nossa equipe de fábrica, fazer algumas unidades desta fragrância, especialmente para você. Queria te contar que Annete é minha primeira filha e que o perfume foi criado por ocasião do seu nascimento.”
Para o Grupo Boticário, a ação foi tratada como “gesto simbólico”, reconhecendo que “nada substituirá a presença de Alexandre” — mas esperando que o perfume pudesse representar “o amor entre mãe e filho por meio da memória olfativa”.
Por que essa história repercutiu — e o que ela revela
- O poder emocional do olfato
Diferentemente de outros sentidos, o olfato está diretamente ligado ao sistema límbico, área cerebral relacionada à memória e às emoções. Um perfume pode evocar lembranças com intensidade — algo claramente materializado no relato de dona Wanda. - Marketing com empatia (ou marketing emocional?)
A iniciativa da marca despertou aclamação, mas também críticas: alguns viram a ação como gesto genuíno de empatia; outros a interpretaram como oportunismo mercadológico — “uma tragédia explorada para humanizar a imagem da empresa”. Esse tipo de dilema é recorrente quando empresas se posicionam em narrativas emocionais públicas. - Limitações práticas
É importante destacar que essa reedição não significou que o perfume voltou ao catálogo comercial para venda geral. Foi uma ação pontual, feita para uma pessoa específica, e não uma reformulação de linha. - Comemoração e repercussão social
A história foi repercutida por grandes veículos nacionais — CNN Brasil, revista PEGN, UOL Cultura — e rapidamente viralizou nas redes. Para muitos, representa um exemplo de como histórias individuais podem mobilizar marcas, consumidores e empatia coletiva.
