Quadrilha fortemente armada é presa em Divinópolis após explosões em duas agências bancárias no Sul de Minas

Na madrugada de quarta-feira (5), as instituições financeiras Sicoob e Bradesco localizadas na Rua Vigilato Vilas Bôas, no município de Ijaci (Sul de Minas), foram alvo de um ataque que mobilizou explosivos, miguelitos (espécie de prego soldado para furar pneus) e intenso arsenal armado — até então típico de grandes quadrilhas especializadas em assalto a bancos. O Tempo+2Rádio Itatiaia+2

Identificados pela Polícia Militar de Minas Gerais, três suspeitos foram detidos no sábado (8) em Divinópolis, após diligência que resultou na apreensão de:

  • uma pistola calibre .40 e um revólver calibre .38;
  • munições de calibres diversificados (5,56 mm, .12, .40 e .38);
  • quatro veículos clonados;
  • um drone, binóculo e roupas usadas na ação. O Tempo
    Os detidos e o material apreendido foram encaminhados à Delegacia de Divinópolis.

Durante a ação em Ijaci, pelo menos cinco homens encapuzados e armados desembarcaram em um veículo preto às 2 h, atacaram os caixas eletrônicos das agências e espalharam miguelitos para complicar a ação policial. Apesar da agência do Bradesco não ter sido explodida, teve caixas eletrônicos danificados. A unidade da Sicoob, que funciona junto à Prefeitura de Ijaci, ficou sob interdição parcial pela Defesa Civil em razão dos danos estruturais. O Tempo+1 Moradores relataram barulhos de disparos de fuzis, explosões e caos generalizado na madrugada. Rádio Itatiaia

Panorama regional, estadual e nacional do crime de explosão a bancos

Este tipo de crime — ataques a agências bancárias ou caixas eletrônicos com uso de explosivos e forte armamento — tem se disseminado principalmente no interior de estados brasileiros nos últimos anos.

Em Minas Gerais, segundo levantamento da Assembleia Legislativa, entre fevereiro de 2011 e setembro de 2015 foram registrados mais de 1.000 casos de ataques a caixas eletrônicos, dos quais cerca de 90% envolveram detonações de explosivos. Assembleia MG Já em 2016, foi apurado que, em 192 dias, ao menos 91 caixas eletrônicos haviam sido explodidos no Estado, ou seja, quase um a cada dois dias. Estado de Minas Ainda em 2018, foi noticiado que MG registrava “dois ataques a bancos a cada cinco dias”. Estado de Minas
Esses dados evidenciam que o crime não é esporádico, mas se tornou estrutural no interior mineiro.

No Brasil, análises apontam que esse tipo de ação se intensificou em cidades pequenas, com menor presença policial ou vigilância reforçada, sendo que uma reportagem de 2019 apontava que “uma média de dois bancos ou caixas eletrônicos eram explodidos por dia” no país. Terra Também destaca-se que os criminosos utilizam explosivos, fuzis, veículos clonados e táticas de grande impacto para intimidar e efetuar o crime. apmg.pr.gov.br
Em São Paulo, por exemplo, verifica-se queda nos ataques a caixas eletrônicos: de janeiro a julho de 2016 foram 77 ocorrências, ante 181 no mesmo período de 2015 — queda de 57,5 %. FEBRABAN Isso mostra que onde há articulação entre bancos, forças de segurança e inteligência, o crime pode ser contido.

Internacionalmente, embora existam menos estatísticas públicas sobre ataques a bancos usando explosivos, o fenômeno de criminalidade violenta organizada com armamento pesado se replica em países que enfrentam quadrilhas bem articuladas. A experiência brasileira serve, portanto, como estudo de caso de como o crime bancário pode evoluir para modalidades que beiram o “novo cangaço” — termo usado para quadrilhas altamente mobilizadas e violentas.

Impactos e desafios para segurança pública

Os ataques como o de Ijaci causam diversos efeitos negativos:

  • Ameaça direta à segurança da população local, com tiroteios, explosões e sensação de impunidade.
  • Danos à infraestrutura — no caso relatado, o prédio da Prefeitura junto à Sicoob teve que passar por vistoria da Defesa Civil.
  • Custo elevado para bancos e cooperativas: reconstrução de agências, substituição de equipamentos, reforço de segurança.
  • Redução de acesso aos serviços bancários em localidades menores se agências fecharem por insegurança, o que afeta a inclusão financeira.

Do lado da segurança pública, os desafios são:

  • Rastrear e desbaratar quadrilhas que utilizam logística sofisticada (veículos clonados, drones, armas de fuzil, explosivos).
  • Controle e fiscalização de explosivos/munições, uma vez que muitos casos envolvem conhecimento técnico. SindicarioNET+1
  • Integração entre bancos, cooperativas, Forças de Segurança (Militar, Civil, Federal) e sistemas de inteligência para prevenção e ação rápida.
  • Proteção de municípios do interior, que muitas vezes têm efetivo policial reduzido e acabam sendo alvos preferenciais. Assembleia MG

No caso de Ijaci e Divinópolis: o que o futuro pode trazer

  • A prisão dos três suspeitos representa um avanço concreto, mas a investigação deve agora apontar se há mandantes, redes de apoio e logística (clonagem de veículos, fornecimento de explosivos, uso de drone).
  • A Prefeitura de Ijaci e os bancos envolvidos precisarão apresentar planilha e plano de restauração do prédio, comunicação aos clientes e reforço de segurança para evitar reincidência.
  • Em Minas Gerais, reforços em patrulhamento, inteligência e ações de prevenção devem ocorrer em municípios de média/pequena população, que são alvos preferenciais.
  • Em âmbito nacional, o caso reforça a necessidade de campanhas regulares de prevenção, controle de explosivos/armas, e parcerias mais estreitas setor público-privado.

Este crime — a explosão de duas agências em um município de cerca de 7 mil habitantes — representa tanto uma “cena de guerra urbana” quanto um alerta sobre a vulnerabilidade de localidades menores. Os dados mostram que, apesar de algumas quedas pontuais, o Brasil e especialmente o interior de Minas Gerais ainda convivem com esse tipo de violência e precisam de políticas focadas e integradas.

Junior Flávio / OPZ Play

https://g1.globo.com/mg/centro-oeste/noticia/2025/11/09/tres-suspeitos-de-envolvimento-em-explosao-de-agencias-bancarias-no-sul-de-mg-sao-presos-em-divinopolis.ghtml

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