Servidora é presa após investigação revelar desaparecimento de mais de 200 armas apreendidas em Belo Horizonte

Uma funcionária pública estadual, identificada como Vanessa de Lima Figueiredo, foi detida no domingo à noite (9) no bairro Salgado Filho, em Belo Horizonte. Ela é suspeita de envolvimento em um esquema que levou ao desaparecimento de cerca de 220 armas apreendidas, que deveriam estar sob a guarda da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) na 1ª Delegacia do Barreiro. Portal Por Dentro de Minas+4Plox+4O Tempo+4

Como o caso veio à tona

A apuração teve início quando, em uma ocorrência registrada em Contagem (RMBH), policiais identificaram uma arma de fogo em poder de um suspeito que já constava como apreendida no sistema da PCMG. Plox+1
Uma verificação do acervo da delegacia apontou que dezenas de armas não estavam mais no local adequado. A maioria dos artefatos desaparecidos eram de calibres menores e alguns já considerados obsoletos. Plox+1

Prisão e investigação

Durante buscas nos dois endereços residenciais da suspeita — nos bairros Salgado Filho e Teixeira Dias — os policiais encontraram um cofre com invólucros de perícia, além de indícios de investimento em bens de alto padrão, como carros e procedimentos estéticos, supostamente com recursos do esquema.
A investigação está sob a responsabilidade da Corregedoria da PCMG, considerada em “estágio avançado”. O Tempo+2Plox+2
A detida foi encaminhada ao Presídio Feminino José Abranches Gonçalves, em Ribeirão das Neves (Grande BH). Plox+1

Críticas à estrutura de custódia de apreensões

O Sindicato dos Servidores da Polícia Civil de Minas Gerais (Sindpol) apontou que o desaparecimento das armas está relacionado à falta das chamadas “Centrais de Cadeia de Custódia” em Minas Gerais — unidades previstas no Lei nº 13.964/2019 (o chamado “Pacote Anticrime”), que deveriam reunir e controlar todo o acervo de objetos apreendidos pelas forças de segurança. O Tempo+1
Para o sindicato, a guarda de armas em delegacias comuns, sem os devidos controles, facilita desvios e extravios. O Tempo+1

Panorama dos fatos

A unidade policial envolvida é a 1ª Delegacia do Barreiro, localizada no bairro Jardinópolis, Região Oeste de Belo Horizonte. O Tempo+2Plox+2

Não há, até o momento, confirmação oficial de invasão ou arrombamento da delegacia: a perícia indicou que não foram encontrados sinais de entrada forçada. BHAZ+2Portal Por Dentro de Minas+2

O número exato de armas desaparecidas ainda não foi oficializado, mas estimativas giram em torno de 200 a 220. Plox+1

A corporação afirma que reforça seu compromisso com a transparência, legalidade e rigor na apuração dos fatos. Portal Por Dentro de Minas

Por que esse caso é relevante

O incidente expõe fragilidades no controle interno de acervos de armas apreendidas, que deveriam estar sob guarda da polícia.

Revela como a ausência de estrutura apropriada (como as Centrais de Cadeia de Custódia) pode favorecer desvios com impacto direto na segurança pública.

Trará implicações para o combate ao crime organizado: armas que everiam estar fora de circulação podem voltar ao mercado ilegal.

A repercussão para a imagem institucional da polícia estadual é significativa — aumenta a pressão por melhorias de infraestrutura, monitoramento e transparência operacional.

Panorama nacional sobre acervo e custódia de armas apreendidas

Apreensões em crescimento, mas controle ainda falho

Em nível nacional, as apreensões de armas de fogo registraram crescimento: em 2023 foram aproximadamente 10.935 armas apreendidas pelas corporações federais, ante 8.466 em 2022 — um aumento de cerca de 28%. Agência Gov+2UOL Notícias+2

Das armas apreendidas no Brasil, no relatório “Mapa da Segurança Pública 2024” (ano-base 2023) observa-se que revólveres e pistolas continuam como os tipos mais comuns; no entanto, fuzis, submetralhadoras e carabinas (armas de “alto poder ofensivo”) apresentaram variação positiva em apreensões: fuzis +32,24%; submetralhadoras +32,71%. Serviços e Informações do Brasil+1

Mesmo com o aumento das apreensões, o simples volume não garante que o fluxo pós-apreensão (a guarda, registro, rastreamento e destino final) esteja bem organizado ou padronizado em todos os estados.

Desafios estruturais na custódia dos armamentos

A legislação federal, via Lei nº 13.964/2019 (o chamado “Pacote Anticrime”), prevê que objetos apreendidos — como armas, munições, drogas — sejam alocados em locais adequados de custódia, com rastreabilidade da cadeia de custódia. O Tempo+1

Em vários estados, entidades sindicais ou de controle apontam que tal previsão ainda não foi totalmente implementada — por exemplo, falta de centrais especializadas de custódia, ou delegacias que continuam armazenando armas e drogas com controles menos rigorosos. No caso de Minas, o sindicato estima que a falta de uma central de custódia facilita extravios. O Tempo

Há também movimentações legislativas para melhorar o aproveitamento ou destino de armas apreendidas: no estado de Minas Gerais, o Projeto de Lei 2.487/21 (PL), que altera a Lei estadual 23.418/2019, foi aprovado em 1º turno para regular o uso e destino dos armamentos apreendidos por PCMG e Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG). Assembleia MG

Boas práticas que já se veem

Em alguns estados ou operações, há destruição de armas apreendidas obsoletas para liberar espaço nos depósitos e reduzir riscos de desvio. Por exemplo: no Polícia Civil do Estado da Bahia foram destruídas 250 armas apreendidas em abril/2025, autorizadas pela Justiça. Bahia

Também se verificam operações integradas, com diversos órgãos de segurança, para recolhimento de armas e controle do fluxo — embora isso foque mais na apreensão do que na guarda pós-apreensão. Serviços e Informações do Brasil

Dados específicos de MG

O estado de Minas Gerais aparece como o 2º no ranking nacional de apreensões em 2024, com média de 33 armas apreendidas por dia e cerca de 12.383 armas no acumulado do ano. O Tempo+1

No entanto, justamente em Minas ocorreu o caso de desaparecimento de cerca de 220 armas sob guarda da 1ª Delegacia do Barreiro, em Belo Horizonte, que foi alvo de investigação da PCMG. Plox+1

Principais fragilidades apontadas

A falta de uma central de custódia especializada no estado é apontada como fator chave para o extravio. O sindicato afirma que as armas “não deveriam estar acauteladas em delegacias”, mas em unidade especializada de custódia. O Tempo+1

Delegacias com guarda de acervos grandes de armas e munições podem ter controles internos mais frágeis — cofre, registro manual, menor segurança física ou monitoramento — do que unidades projetadas para esse fim.

Apesar de apreensões elevadas, se a logística de guarda, rastreamento e destinação não for robusta, há risco de que armas saiam desse ciclo “legal” e ingressem no mercado ilícito ou sejam desviadas.

Medidas em curso ou propostas em MG

O PL 2.487/21, em tramitação na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), busca regulamentar melhor o aproveitamento, destino ou descarte de armas apreendidas pela PCMG e PMMG. Assembleia MG

A denúncia e investigação do sumiço das armas despertaram maior atenção institucional para o tema da custódia e da necessidade de criar ou aprimorar a estrutura física de armazenamento e controle. O Tempo+1

Recomendações práticas que emergem do caso

Implantar com urgência centrais especializadas de cadeia de custódia para armas apreendidas, em conformidade com a Lei 13.964/2019, com ambiente físico seguro, controle de acesso, vídeo monitoramento e rastreamento digital de entradas/saídas.

Revisão de inventário periódico e auditoria dos armamentos sob guarda de delegacias, com confrontação entre sistema de registro, lacres e localização física.

Garantir a destinação adequada das armas obsoletas ou não reutilizáveis — por destruição ou outro mecanismo — para liberar espaço e reduzir risco de “esquecimento” ou desvio.

Uniformização de procedimentos e capacitação de agentes responsáveis pelo acervo de armas em delegacias: registro, lacre, movimentação, descarte.

Transparência institucional e prestação de contas — comunicar regularmente ao público e aos órgãos de controle quantas armas estão sob guarda, quantas foram destin­adas, quantas descartadas, e se há extravios.

Integração com sistemas eletrônicos de registro nacional (ou estadual) para que qualquer disputa ou movimentação incomum seja rapidamente detectada.

Embora o Brasil tenha avançado no volume de apreensões de armas de fogo, tal ganho operacional precisa ser acompanhado por infraestrutura de custódia e controle interno igualmente robusta. Em Minas Gerais, o fato de o estado ter índices elevados de apreensão não impede que ocorram falhas graves no armazenamento — como o desaparecimento de centenas de armas sob custódia da própria polícia. A implementação de centrais de custódia, a revisão de procedimentos internos e a legalidade quanto à destinação de armamentos apreendidos são peças-chaves para evitar mais desvios.

Atualmente, não há uma lista ampla, pública e detalhada de estados brasileiros que já implantaram integralmente centrais de custódia para armas apreendidas, com todos os protocolos recomendados (estrutura física, rastreamento digital, auditoria periódica) plenamente operacionais. Porém, é possível destacar alguns avanços e indícios de boas práticas em diferentes unidades da federação que podem servir como referência para o estado de Minas Gerais. A seguir, apresento uma lista comparativa com exemplos, escopo da prática, o que está funcionando e quais lacunas ainda persistem.

Unidade da FederaçãoDescrição da prática ou iniciativaPontos positivosLacunas ou desafios ainda em aberto
BahiaO estado registrou aumento de apreensões de armas de fogo e operações bem-documentadas, o que mostra atenção ao fluxo de armas. Serviços e Informações do Brasil+3Bahia+3Bahia+3Forte ação repressiva e atenção da segurança pública estadual; isso demonstra importância de rastrear o ciclo pós-apreensão.Contudo, não há publicamente indicação de que exista uma central de custódia de armas apreendidas com todos os controles previstos; o foco tem sido maior na apreensão do que no armazenamento e destinação.
Rio de JaneiroO estado apresenta grandes volumes de apreensões de armas, inclusive de fuzis. Serviços e Informações do BrasilAlta captação de armamentos, o que exige e estimula melhores controles internos.Apesar disso, não há informações públicas sistemáticas sobre uma central de custódia operacional e gerenciada com rastreabilidade completa para todo o acervo apreendido.
Mato GrossoNo período de 2019 a 2024, mais de 12 mil armas de fogo ilegais foram apreendidas no estado. SES-MTDemonstrou capacidade operacional alta para apreensão de armas.Mesmo com isso, não há registro público claro de implementação de uma estrutura formalizada de “central de custódia” de armas conforme previsto na legislação federal (Lei nº 13.964/2019).
Minas Gerais (em processo)Em Minas ocorre um caso grave de extravio de cerca de 200 armas na 1ª Delegacia do Barreiro, o que levou o sindicato a cobrar a criação de uma central de custódia. O TempoO alerta e mobilização ajudam a empurrar para a implementação de melhorias estruturais.A central de custódia ainda não está em funcionamento de modo consolidado (ao menos de acordo com as reclamações exist­entes). Falta estrutura física, procedimentos de rastreamento, auditoria etc.

Insights para implantação ou aprimoramento

Com base nos exemplos acima e nas melhores práticas, seguem recomendações práticas para estados que ainda estão no processo (como Minas Gerais), ou para aprimorar o que já existe:

Estrutura física especializada: O local deve ter controle de acesso, vídeo monitoramento, sistema de lacres ou tags, registro digital de entrada/saída das armas.

Sistema de rastreabilidade: Cada arma apreendida precisa ter identificação única, estado de conservação, histórico de custódia, localização atual, data de movimentação, motivo de destinação ou descarte.

nventário e auditoria periódica: Fazer verificações regulares (mensais/trimestrais) para comparar registros digitais com acervo físico, priorizando prevenção de extravios.

Destinação ou descarte transparente: Armas que não mais interessarem à persecução penal devem ter destinação clara (doação para forças de segurança ou destruição) e isso precisa estar documentado.

Capacitação e padronização: Treinar servidores que atuam na guarda de armas e definir procedimento padronizado (recepção, lacre, armazenamento, movimentação, baixa) para todo o estado ou corporação.

Transparência e controle externo: Publicar relatórios periódicos sobre o acervo sob custódia, número de armas apreendidas, armas destinadas, armas descartadas, extravios investigados, com participação de órgãos de controle ou auditoria independente.

Embora nenhum estado pareça ainda ter implementado totalmente o modelo ideal de central de custódia para armas apreendidas com todas as camadas de controle, há bons indícios de práticas avançadas que podem servir como modelo ou inspiração. Para Minas Gerais, o cenário atual — marcado por um extravio significativo — revela que a criação e operacionalização de uma central de custódia seria uma medida de urgência.
Se você quiser, posso tentar fazer um mapa ou tabela ampliada com todos os 26 estados + Distrito Federal, anotando o status público conhecido de suas centrais ou estruturas de custódia de armas — para ver onde Minas se posiciona no comparativo nacional.

Junior Flávio / OPZ Play

https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2025/11/10/sumico-armas-delegacia-policia-civil-bh.ghtml

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