Tentativa de feminicídio em Divinópolis expõe a persistência da violência contra a mulher em Minas Gerais

Crime ocorrido nesta segunda-feira, 29 de dezembro de 2025, reforça um cenário alarmante de agressões motivadas por relações íntimas e desigualdade de gênero no estado.

Uma mulher de 25 anos luta pela vida após ser brutalmente atacada pelo companheiro em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais. O crime, registrado no início desta semana, é tratado pelas forças de segurança como tentativa de feminicídio e reacende o debate sobre a violência doméstica e de gênero no estado.

De acordo com informações apuradas junto à Polícia Militar e ao Corpo de Bombeiros, a vítima foi encontrada com aproximadamente 16 golpes de faca espalhados por várias partes do corpo, incluindo cabeça, rosto, pescoço, tórax, abdômen, costas e braços. O ataque ocorreu após uma discussão entre o casal em um imóvel localizado no bairro Jardinópolis. A jovem foi socorrida em estado gravíssimo e encaminhada à Sala Vermelha do Complexo de Saúde São João de Deus, onde permanece internada sob cuidados intensivos.

O suspeito, também de 25 anos, fugiu logo após o crime. Segundo a PM, ele já foi identificado e possui antecedentes por furto, ameaça, lesão corporal e agressão. As buscas continuam, e o caso está sob investigação da Polícia Civil como tentativa de feminicídio, crime previsto no Código Penal Brasileiro quando a violência é motivada pela condição de gênero da vítima.

Feminicídio: um problema estrutural em Minas Gerais

O episódio em Divinópolis não é isolado. Dados oficiais indicam que Minas Gerais figura entre os estados com maior número de registros de feminicídio e tentativas no país. Levantamentos recentes da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) apontam que, somente no último ano, centenas de mulheres foram mortas ou gravemente feridas em contextos de violência doméstica, sendo que a maioria dos crimes ocorreu dentro de casa e teve como autor o companheiro ou ex-companheiro da vítima.

Estudos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que, em Minas, mais de 70% dos feminicídios são cometidos por parceiros íntimos, geralmente após um histórico de agressões, ameaças e controle psicológico. As estatísticas também revelam que muitas vítimas haviam registrado boletins de ocorrência ou conviviam com ciclos recorrentes de violência antes do ataque mais grave.

Violência que começa antes do golpe fatal

Especialistas alertam que o feminicídio costuma ser o desfecho de uma escalada de abusos. Agressões verbais, ciúmes excessivos, ameaças e violência física leve são sinais que frequentemente antecedem crimes mais graves. No caso de Divinópolis, a polícia investiga se havia registros anteriores de conflito entre o casal.

Apesar dos avanços legais, como a Lei Maria da Penha e a tipificação do feminicídio como crime hediondo, autoridades reconhecem que a subnotificação ainda é alta. O medo, a dependência emocional ou financeira e a descrença na proteção do Estado impedem muitas mulheres de denunciar.

Canais de denúncia e prevenção

Casos como este reforçam a importância da denúncia precoce. Mulheres em situação de violência podem procurar ajuda por meio do Disque 180, canal nacional de atendimento à mulher, além das delegacias especializadas e da Polícia Militar, pelo 190, em situações de emergência.

Enquanto a vítima de Divinópolis segue internada, o crime mobiliza a comunidade e as forças de segurança, ao mesmo tempo em que evidencia um problema estrutural que vai além de um caso isolado. A violência contra a mulher permanece como um dos principais desafios sociais de Minas Gerais e do Brasil, exigindo não apenas repressão penal, mas políticas públicas eficazes de prevenção, acolhimento e proteção às vítimas.

JUnior Flávio / OPZ Play

https://g1.globo.com/mg/centro-oeste/noticia/2025/12/29/mulher-e-esfaqueada-16-vezes-pelo-companheiro-apos-discussao-em-divinopolis-diz-pm.ghtml

Rolar para cima